As cigarras do Sul

14 Junho 2012

“… O euro, na prática, foi criado em 1999. Naquele ano, a Alemanha era o terceiro país com mais déficit em conta corrente, e também em 2000. Desde 1991 que não tinha baixado do quinto lugar. Até 1998, nem a Espanha nem a Itália, nem a Grécia estavam entre os países com  maior déficit. Com a introdução do euro, a Alemanha passou a ter um superavit (e a personificar as virtudes do trabalho bem feito), enquanto o Arco Mediterrânico passava a registar grandes desequilíbrios comerciais, que deverão ser compensados com entradas de capital (…).

Por outras palavras, o desequilíbrio Norte-Sul que está a sufocar a Europa não parece apenas uma questão de estrutura económica, produtividade e competitividade (fatores que, em qualquer caso, não devemos ignorar). Ou uma questão de vadios contra trabalhadores. Salvo que qualquer coisa, um vírus estranho, tivesse invertido a estrutura económica e disponibilidade para trabalhar em toda a Europa lá por volta do ano 2000. A outra possibilidade é que uma exigente taxa de câmbio do euro (muito forte em relação ao dólar), combinada com uma política monetária pouco restritiva (quem te viu e quem te vê, BCE) motivasse nos países do Sul da Europa, menos competitivos nas exportações, uma mudança no perfil de crescimento, que passou a centrar-se no consumo e no crédito. Algo que a Alemanha aproveitou para fazer aumentar as suas exportações dentro da Europa. E, como o dinheiro que entra deve sair, foi a Alemanha que emprestou capital para alimentar a máquina creditícia do Sul da Europa.”

Nuño Rodrigo: Blog Lealtad, 1. > Españoles vagos, alemanes trabajadores… ¿seguro? (8 de novembro de 2011)

Advertisements
%d bloggers like this: