Morgana em Esmelhe

3 Junho 2012

Acabo de ler o novo romance de Begoña Caamaño, Morgana en Esmelle (Vigo, 2012).

Um hino contra a ambição, a soberba, a intriga, a vaidade.

Que prazer cúmplice encontrar nas tuas páginas a também minha admirada Adriana Calcanhotto!

Obrigado, Begonha

Álvaro (Felipe de Amância)

Das memórias de Felipe de Amância
UMA LEMBRANÇA DE ESMELHE

Agora que o meu senhor Dom Merlim dorme plácido a carão da sua ciência e dos seus sete saberes, e quando ainda mantenho nítidas as lembranças, é, se quadra, o momento de falar por fim do acontecido há já tanto tempo em Miranda e do que sempre se me proibiu falar. Não creio que o meu relato possa já produzir mal nenhum ao meu amo. Tão profundo é o seu sono que ninguém de entre nós sabe ao certo se é morte ou repouso, pois, cada dia que passa, os seus brancos cabelos misturam-se mais com a geada pousada na carriça do velho carvalho ao que se arrimou quando decidiu retirar-se a descansar. E ele é cada vez mais difícil atinar onde acaba o humano cabelo e onde começa o arbóreo caroujo”

Begoña Caamaño, Morgana en Esmelhe: primeiras linhas do romance (com uma pequena “adaptação gráfica”)



Imagem: Blog Editorial GalaxiaMorgana en Esmelle

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