Exportação de pessoas

11 Dezembro 2011

A partir deste mês, mais um jovem de 25 anos entra na “zona de conforto” do desemprego.

Este jovem é um bom conhecedor das “zonas de conforto”. Vive, confortavelmente, com os pais, resignando-se a coisas como “baixa essa música”, “na minha casa não quero que cheire a tabaco”, etc. Vive, confortavelmente, com os 600 euros que recebe, perdão, que recebia.

Como está cansado de tanto conforto, vai mudar de ramo para passar a integrar o negócio das exportações. Porque a solução está, como sabemos, nas exportações. Vai exportar-se a si próprio. Porque “Ahora … la …más rentable actividad económica [de Portugal] es la exportación de personas”.

Só que eu, na minha “zona de conforto”, não estou a gostar nada deste voltar ao comércio de exportação de pessoas.

E não apenas porque isso me lembre coisas perturbadoras como o “comércio” de pessoas, os navios negreiros, as mafias angariadoras, os “cayucos”, etc., etc.

É que essa indústria exportadora está a pôr em causa os meus planos para uma velhice na “zona de conforto”. É só ver estes indicadores, anteriores, até, à implementação desta política de exportação de pessoas.

Indices de envelhecimento da população residente (2000-2009). A crescer de 102%, no ano 2000, para 118%, no ano 2009:

E estas taxas de crescimento populacional (natural, migratório e efetivo), também de 2000-2009, a descer:

Saldo migratório: de 47000 no ano 2000, para 15408, no ano 2009

Saldo natural: de 14644, no ano 2000, para -4945, no ano 2009

Fonte dos indicadores: ALEA > Actualidades do INE

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