“As universidades chegaram tarde às mudanças e estão a começar agora a incorporar métodos de gestão de qualidade que já são populares há alguns anos no mundo empresarial. Paradoxalmente, parece haver uma certa necessidade de chamá-los de inovação, tendência na moda atualmente no mundo da empresa e nas políticas públicas. Como consequência, promove-se a inovação nos métodos de ensino, mas quando se começa a experimentar timidamente alternativas a práticas que não mudaram em décadas, rapidamente são introduzidos sistemas de qualidade que exigem uma estandardização e protocolos estáveis e previsíveis. Deste modo consegue-se “congelar” processos que ainda estavam a ser iniciados e que raramente tinha sido experimentados, avaliados e melhorados. Como resultado as universidades equipam-se de um catálogo de práticas docentes “inovadoras” que, como em qualquer tipo de inovação na sua fase inicial, numa porcentagem elevada estão condenadas ao fracasso. Mas este insucesso não pode ser transformado num processo de destruição criativa que de origem a outros e melhores métodos. Pelo contrário, o efeito paralisante da qualidade faz com que os catálogos de métodos de ensino se tornem uma barreira para impedir futuras inovações e, portanto, qualquer tipo de transformação real.

Pelo contrário, a inovação é intrinsecamente instável. Não é apenas ou principalmente um conjunto de competências técnicas e procedimentos (embora estes façam parte do processo de inovação). A inovação é uma cultura que deve ser incorporada na estratégia e no modelo organizacional. A inovação é, pela sua própria idiossincrasia, difícil de gerir no sentido em que são geridas numa organização outras funções  (nomeadamente a qualidade), mas é possível  criar condições que gerem a cultura da inovação adequada.”


Freire, J. y  Schuch Brunet, K. (2011) “Políticas y prácticas para la construcción de una Universidad Digital“, no monográfico dedicado às “Políticas universitarias para una nueva década” (aqui em pdf) de La Cuestión Universitaria (Boletín Electrónico de la Cátedra UNESCO de Gestión y Política Universitaria de la Universidad Politécnica de Madrid), Nº 6 – diciembre 2010, ISSN 1988-236x; Francisco Michavila (dir.), José Luis Parejo (coord.).

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