Têm aparecido notícias sobre a suposta concorrência que o novo tablet da Apple, que (segundo os rumores a que a empresa nos tem habituados) será apresentado a finais deste mês de Janeiro no Consumer Electronics Show, vai significar para o leitor de e-books Kindle, da loja Amazon.

Duvido. O tablet da Apple e o Kindle poderão é complementar-se.

Este último, com a chamada tecnologia de tinta electrónica ou papel electrónico, e muito mais leve, permite uma confortável  leitura ao ar livre (ainda ontem voltei a usar para ler um bocado enquanto desfrutava destes bem-vindos raios de Sol).

Rival da Amazon?:

– A aplicação que permite ler os livros do kindle no iPhone já está disponível fora dos EUA.

– Amazon tem disponível um interface para PC (Kindle for PC) que, segundo a Amazon, estará disponível em breve para Mac.

Será, este “em breve”, o dia 27 de Janeiro?

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Hope for Haiti Now

23 Janeiro 2010

Os temas do concerto Hope for Haiti Now podem comprar-se no iTunes (todos por 6.99 euros).

  • Beyoncé, Jay-Z, Jennifer Hudson, John Legend, Justin Timberlake, Madonna, Mary J Blige, Rihanna, Shakira, Stevie Wonder, Sting, U2, …

É mais uma maneira de ajudar.

My Beautiful Blue Country (1997) [Alfredo Keil/Luís Pipa], por Luís Pipa,

em Luís Pipa (2009): Portugal

Uma versão muito interessante, sem cargas épicas ou belicistas, de outra que todos conhecemos.

(para ouvir, clique na imagem do CD)

Os críticos do suplemento literário do El País, Babelia, elegeram Anatomía de un Instante, de Javier Cercas, como o livro do ano em Espanha.
Trata-se de uma crónica (?) romanceada (em El País aparece sob a categoria “ensaio”) dos acontecimentos que ensombraram Espanha no dia 23 de Fevereiro de 1981.
O “instante” é o momento em que Adolfo Suárez (primeiro-ministro demissionário), o general Gutiérrez Mellado (vice-primeiro-ministro) e Santiago Carrillo (secretário-geral do PCE) decidem não obedecer à ordem de atirar-se ao chão dada pelo golpista Tejero (“todos al suelo”) entre disparos dos “guardias civiles” que acabavam de irromper no Congreso de los Diputados (Assembleia da República) no momento em que se votava a investidura do primeiro-ministro, que iria substituir Adolfo Suarez.
É esse o momento e o prisma a partir do qual J. Cercas nos apresenta aquela época (a chamada “transición”) de Espanha.

Fiquei com a sensação de que Cercas usava uma estratégia narrativa de círculos quase concêntricos que se deslocavam ligeiramente para trás ou para a frente. Daí a sensação de repetição, de estar voltando constantemente ao mesmo ponto. Calculo que Cercas pretende criar esse efeito repetitivo, daí o recurso à repetição (para o meu gosto, excessiva, ou excessivamente evidente) de palavras, estruturas, caracterizações, paradoxos, etc. (por exemplo os substantivos, adjectivos ou expressões que em forma de epítetos são aplicados aos diferentes protagonistas, ao governo que eventualmente deveria ter saído como consequência do 23 F, etc.). Lembro, por exemplo (sem qualquer pretensão de rigor nestas citações), a repetição de: “golpe de timón, golpe de bisturí o cambio de rumbo” “um gobierno de salvación nacional o de concentración o de gestión”, “que (o que X cree, ou siente, que )”, “un hombre politicamente acabado y personalmente roto”, etc.
Um bocado inverosímil é a “perfeição” em que se estrutura, aos pares, a relação entre Adolfo Suarez, o general Gutierrez Mellado e Santiago Carrillo vs. o general Alfonso Armada, o general Milans del Bosch e o tenente-coronel Antonio Tejero.

De qualquer maneira, um livro interessante, sem dúvida. Será que a sua leitura terá a mesma capacidade de “prender” o leitor que não viveu os acontecimentos?

Facebook à solta?

16 Janeiro 2010

10 situaciones que quieres evitar en Facebook y cómo hacerlo

(via El blog de Enrique Dans > Facebook y la privacidad: buen momento para revisar tu configuración)

Pense no Haiti

15 Janeiro 2010

http://www.youtube.com/watch?v=TzlFn-Eq15w

Obrigado, Begonha, por lembrar.

Estou a perder a paciência para ler romances. Para além de livros mais ou menos da minha área, dou por mim, nas livrarias (físicas ou outras), à procura de obras claramente afastadas do que poderíamos chamar “literatura de ficção”. A primeira parte do artigo publicado pelo sociólogo espanhol Vidal-Beneyto no início deste mês em El País, retrata, em parte, o que sinto quando largo um romance após as primeiras 20 ou 30 páginas de leitura. Será que isto tem cura? Melhor não ter cura?


“A literatura invadiu todos os âmbitos da comunicação, principalmente da escrita, e impôs os seus valores, as suas pautas, os seus modos e as suas gentes. À literaturização do pensamento, hoje já culminada, seguiu esta apoteose literária dos meios de comunicação, que outorga os maiores louvores e os melhores espaços aos literatos e consagra a autoqualificação de escritor, a que mais abunda hoje nos jornais, como signo de demarcação da excelência, como razão de pertença à tribo dos eleitos. Os jornalistas propriamente ditos ficam reduzidos à condição de empregadozeco, de mexeriqueiro da notícia, já para não falar dos expertos, principalmente dos científicos sociais, obstinados mendicantes de um furo em que meter as suas análises e reflexões. Para aprofundar nesta perspetiva, ver: Oskar Negt e Alexander Kluge, Öffentlichkeit und Erfahrung (Suhrkamp, 1972) e Serge Halimi, Les nouveaux chiens de garde (Liber-Raisons d’agir, 1997).

O escritor, pelo contrário, dispõe de todas as oportunidades para, ignorando o saber acumulado sobre a maior parte dos grandes problemas e questões, se lançar de corpo e alma à apresentação das suas mais banais ocorrências, isso sim, com o brilhantismo que lhe confere a sua consabida destreza retórica…”

JOSÉ VIDAL-BENEYTO > E l macabro vodevil de Copenhague (El País) [02/01/2010]

Foto: Kampers (no flickr)

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