Criatividade

6 Maio 2009

180px-snowwhite2“Disney sempre foi uma copiadora dos recursos mais importantes dos principais filmes de seu tempo. E assim ele fez muitos outros. Os primeiros desenhos animados eram cheios de plágios, de variações de temas interessantes e de novas versões de histórias antigas. A chave para o sucesso estava na magnitude das diferenças. Com Disney, era o som que dava à animação seu brilho. Mais tarde, foi a qualidade do seu trabalho comparado aos desenhos animados produzidos em massa com os quais ele competia. Mesmo assim, essas adições foram construídas sobre uma base que foi copiada. Disney adicionou novidades ao trabalho de outros antes dele, criando algo completamente novo, de algo levemente antigo.

De fato, o catálogo da Disney está lotado de obras criadas a partir de histórias dos outros… Em todos esses casos, Disney (ou a empresa Disney, Inc.) pegavam a cultura que estava ao seu redor, misturavam-na com o seu próprio talento, e então colocavam essa mistura no âmago da sua cultura.
Essa é uma expressão da criatividade. Essa é uma criatividade da que devemos nos lembrar e celebrar. Existem aqueles que dizem que não existe criatividade que não seja desse tipo. Não precisamos ser tão radicais para reconhecer a sua importância. Nos podemos a chamar de “criatividade Disneyana”, mas isso poderia ser um pouco errôneo. Essa é, mais precisamente, uma “criatividade Waltdisneyana” — uma forma de expressão e genialidade que é construída sobre a cultura que existe ao nosso redor e a torna algo diferente.”

Lawrence Lessig (2004) Cultura Livre; p. 22-23 (versão original: Free Culture )

Imagem: Wikipédia > Cultura libre (libro)

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2 Responses to “Criatividade”

  1. Pat Says:

    É provavelmente propositadamente que Lessig fala da Disney pois foi precisamente a Disney que lutou pela assinatura do Copyright Term Extension Act (ou «lei de Mickey»), que permitiu aumentar o tempo de copyright nos EUA. Hipócritas, não?
    Há um artigo sobre este tema no Le Monde Diplomatique-edição portuguesa de Abril 2009, pp 22-23. Tem como título “A Google e a biblioteca universal” e chama a atenção para o perigo do controlo privado dos documentos/conhecimentos/data que se encontram ou possam vir a encontrar em acesso público. Interessante.

  2. alvaroiriarte Says:

    É propositado. É engraçado ver como identifica os trabalhos da Disney como sendo “obras derivadas”. Mas há outros “piratas” no livro. Vale a pena ler o “Free Culture”.


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