bem-vinda ao Ubuntu

26 Abril 2008

A Patrícia F. escreve o seguinte comentário ao meu post Ubuntu 8.04 :

«A questão que sempre me ponho perante a instalação do Ubuntu no meu computador é a de saber se podemos efectivamente prescindir do Windows e utilizar unicamente, exclusivamente, software livre. Pdemos fazê-lo se estivermos desligados de obrigações, digamos, institucionais. Como bem dizia o professor JJ, porquê usar software livre se as instituições públicas nos obrigam a ter Windows impreterivelmente. Não podemos redigir, por exemplo, uma tese, um qualquer trabalho académico, no “word processor” que disponibiliza o Ubuntu.
Esta questão é muito séria! Usar Ubuntu é uma questão de princípios, princípios estes que deveriam ser tidos em conta ao nível das instituições. Todos nos interrogamos sobre a quase imposição do Windows no nosso espaço e é impossível – pelo menos para mim – deixar de vê-lo como uma violação da nossa liberdade (de escolha). E a mim repudia-me, seriamente, o descaso político destas questões de princípios.
É verdade que já se vão vendo títulos de notícias anunciando a adopção de software livre em instituições públicas, um pouco por todo o mundo. Talvez seja uma questão de tempo.
Assim, decidi hoje descarregar o Ubuntu 8.04 para o meu pc.»

Aproveito o comentário da Patrícia e escrevo a resposta em forma de post, porque não é a primeira pessoa que me faz comentários semelhantes e, pior ainda, ainda há quem pense que com Ubuntu tem que ir à consola e escrever “linhas de comando”:

“Bem-vinda ao clube”, Patrícia. Vai gostar da sensação.

Mas tem toda a razão quando diz que “somos obrigados” a usar Windows. Eu resolvo a questão de duas maneiras: tenho instalados os dois sistemas no meu computador. Normalmente uso Ubuntu, mas às vezes tenho que iniciar no Windows (cada vez menos).

Também tenho, no Ubuntu, uma cópia virtual do meu Windows, onde posso arrancar os meus dicionários (Houaiss, Aurélio, María Moliner, RAE, etc.).


Se decidir instalar os dois sistemas no mesmo computador, o mais difícil é a questão da partição do disco, porque instalar o Ubuntu (sem dividir o disco com o Windows) é facílimo. Se optar pela partição do disco, se calhar vai precisar de ajuda.

Também pode experimentá-lo directamente no CD, sem instalá-lo, ou instalá-lo num computador mais antigo (não muito, claro).

Outra possibilidade (que eu ainda não experimentei) é instalar o ubuntu no Windows, como se fosse uma aplicação mais (com o Wubi). Pelos vistos, os usuários também poderão decidir por instalar em uma partição separada se quiserem. Pelo que li, o Wubi não é uma solução definitiva (serve para “ver como é”)

Outra coisa: com o OpenOffice pode abrir documentos do Microsoft Office. E também pode gravar neste formato (para poder abrir um documento Word, por exemplo, num computador com Windows).

Por último, na Internet poderá encontrar muitos sítios com conselhos, dicas, etc. para aprender mais sobre Ubuntu e sobre Linux, para a ajudar com eventuais problemas.


Ah! E se eu puder ajudar…


Insisto: Vai gostar da “sensação”.

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5 Responses to “bem-vinda ao Ubuntu”

  1. Alberto Simões Says:

    O JJ começa a tornar-se célebre mesmo sem blogue. :)

    Relativamente ao comentário da Patrícia, devo dizer que:

    i) em muitos países da Europa já se começa a usar software livre no serviço público. Também não percebo porque não o usam em Portugal. Se formos às finanças verão que existe dois tipos de aplicações: as mais antigas que estão a ser usadas utilizando um terminal telnet (ou seja, que estão desenvolvidas em Unix, e portanto, são tão usáveis em Linux como em Windows); e as mais recentes, que são baseadas em Web, utilizando uma Intranet, e que portanto, funcionam sobre um browser. Dado que o firefox funciona igualmente bem em Windows como em Linux, também não há grande razão para usar o Windows. Ok, existe uma razão: o pessoal desenvolve aplicações para Internet Explorer e não aplicações para a Web (e portanto, portáveis para todas as aplicações). Ou seja, o estado gosta mesmo é de patrocinar empresas multi-milionárias (leia-se Microsoft), só porque parece bem aparecer nos telejornais com o Bill Gates ou o Balmer ao lado.

    ii) em relação a escrever teses, continuo a defender que usem um sistema decente. O Word passa-se ao fim de um número mínimo de páginas. Se usarem muitas imagens, passa-se ainda mais depressa. Open-Office ou parecido, terá o mesmo problema. Para a escrita de documentos grandes e com uma estrutura nítida continuo a defender o uso de LaTeX. Acredito que durante as primeiras duas páginas custa! Mas depois ganha-se em vida o tempo gasto a aprender.

  2. Patrícia França Says:

    Caro Alberto Simões, os engenheiros informáticos deveriam ser ouvidos na assembleia. Proponho mesmo que se lhes dê um assento próprio. :)

  3. Patrícia França Says:

    Eu estava mesmo cheia de boas intenções, de verdade!
    Descarreguei o Ubuntu para o Cd e consegui instalá-lo no Windows. Ao iniciar o meu computador até tenho as duas opções (Windows e Ubuntu)mas… depois vêm os problemas. Quando entro no Ubuntu acontece-me sempre um de dois problemas: 1)consigo visualizar o ambiente de trabalho do Ubuntu mas depois não consigo fazer mais nada (encrava); ou então 2)não aparece sequer o ambiente de trabalho do Ubuntu.
    Já instalei e desinstalei o sistema umas cinco vezes!
    Alguma sugestão antes de eu me dar por vencida?

  4. Álvaro Says:

    Já tinha lido que o Wubi não era uma solução definitiva. Parece que não corre bem. A Patrícia tem um PC mais antigo? Eu experimentei primeiro num portátil velho e correu muito bem!

  5. Patrícia França Says:

    Descobri ontem o eCRIE, um portal do Ministério da Educação que tem por finalidade divulgar e promover o software livre nas escolas públicas. Por aqui se começa… O endereço: http://softlivre.crie.min-edu.pt/.


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