Javier Ortiz: Nas guerras assassina-se?

28 Setembro 2007

“As nossas autoridades não têm vergonha em afirmar enfaticamente que os soldados espanhóis mortos no Afeganistão foram “assassinados”, e qualificam as acções armadas que provocaram a morte dos mesmos de “atentados terroristas”.
No vou contestar que é uma desgraça o facto de essa pobre gente ter perdido a vida. Só faltava. O que já me parece discutível é apreciação dos factos.
Por uma vez, e sem que isto sirva de precedente, tenho de dar razão a Mariano Rajoy. O Exército espanhol está no Afeganistão numa missão de guerra. Tentar disfarçar essa realidade com artifícios verbais sobre missões de paz é uma parvoíce. Os soldados que o Governo de Zapatero enviou para lá estão apetrechados com armas de guerra e, chegado o caso, utilizam-nas. E disparam a matar, se se propicia.
É verdade que foram com o aval de las Nações Unidas. Das mesmas Nações Unidas que nunca enviaram tropas a Israel para garantir manu militari o cumprimento das suas resoluções. Das mesmas Nações Unidas que apoiaram a Guerra de Coreia. Mas a legalidade formal de uma invasão armada no resolve todos os problemas, nem por isso.
As tropas francesas que invadiram Espanha em 1808 entraram até à cozinha com a autorização do próprio rei de Espanha, antecessor do actual. ¿Foram assassinos os guerrilheiros que as combateram? ¿Foram actos terroristas as suas acções contra o exército ocupante? Não me ensinaram isso na escola.
Nas guerras, no é proibido matar os soldados inimigos. É, sim, a população civil, como com demasiada frequência faz o exército dos EUA que ocupa o Afeganistão.
Seria muito bom que as leis internacionais proibissem taxativamente matar soldados. Mas então no haveria guerras. Nem soldados.”

Fonte: Javier Ortiz: Público.es: El dedo en la llaga: ¿Se asesina en las guerras?
(a tradução é minha)

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