Jornalismo e Internet

30 Setembro 2007

Leio em ElPaís.com , num artigo (Los periódicos miran hacia Internet ) sobre um debate protagonizado por Alan Rusbridger, director do diário britânico The Guardian, e Javier Moreno, director do diário espanhol El País, sobre o futuro do jornalismo:

«Internet pode armazenar perfis e gostos dos usuários. Isso permite oferecer-lhes um produto consoante as suas preferências. Mas para Moreno essa adaptação supõe um risco. “O jornal ganharia um sentido diferente, mas é perigoso. Destruiria um espaço comum. Agora o leitor descobre qualquer coisa que não pensava que estivesse aí. Quebrar isso, acabar com esse factor surpresa é arriscado, não para os jornais, que fariam mais negocio, mas para a sociedade”.»

Não posso estar mais em desacordo com isso. “Para muestra un botón”, como se diria em espanhol:
Com o leitor de música Amarok (vd o meu post de 12 de Julho) e o last.fm , por exemplo, posso partilhar gostos musicais com outras pessoas na Net e ao mesmo tempo descobrir “coisas que não sabia que estivessem aí”, para usar as palavras de Moreno. O mesmo acontece com as notícias, opiniões, blogues, etc., etiquetados por sei lá quantos usuários de Internet. É a Web 2.0., é mais um “espaço público de discussão em que a democracia se baseia”.

“As nossas autoridades não têm vergonha em afirmar enfaticamente que os soldados espanhóis mortos no Afeganistão foram “assassinados”, e qualificam as acções armadas que provocaram a morte dos mesmos de “atentados terroristas”.
No vou contestar que é uma desgraça o facto de essa pobre gente ter perdido a vida. Só faltava. O que já me parece discutível é apreciação dos factos.
Por uma vez, e sem que isto sirva de precedente, tenho de dar razão a Mariano Rajoy. O Exército espanhol está no Afeganistão numa missão de guerra. Tentar disfarçar essa realidade com artifícios verbais sobre missões de paz é uma parvoíce. Os soldados que o Governo de Zapatero enviou para lá estão apetrechados com armas de guerra e, chegado o caso, utilizam-nas. E disparam a matar, se se propicia.
É verdade que foram com o aval de las Nações Unidas. Das mesmas Nações Unidas que nunca enviaram tropas a Israel para garantir manu militari o cumprimento das suas resoluções. Das mesmas Nações Unidas que apoiaram a Guerra de Coreia. Mas a legalidade formal de uma invasão armada no resolve todos os problemas, nem por isso.
As tropas francesas que invadiram Espanha em 1808 entraram até à cozinha com a autorização do próprio rei de Espanha, antecessor do actual. ¿Foram assassinos os guerrilheiros que as combateram? ¿Foram actos terroristas as suas acções contra o exército ocupante? Não me ensinaram isso na escola.
Nas guerras, no é proibido matar os soldados inimigos. É, sim, a população civil, como com demasiada frequência faz o exército dos EUA que ocupa o Afeganistão.
Seria muito bom que as leis internacionais proibissem taxativamente matar soldados. Mas então no haveria guerras. Nem soldados.”

Fonte: Javier Ortiz: Público.es: El dedo en la llaga: ¿Se asesina en las guerras?
(a tradução é minha)

carregadores de telemóveis

26 Setembro 2007

Leio em barrapunto que a associação que agrupa os fabricantes de telemóveis mais importantes decidiu adoptar um tipo de adaptador USB como standard para os carregadores de baterias. Agora só falta que possamos comprar um telemóvel e um carregador por separado. Por que não vou poder continuar a utilizar o meu velho carregador quando decido mudar de telemóvel ou, simplesmente, carregá-lo ligando-o, por USB, ao meu computador?

Fonte: barrapunto: Los cargadores de los teléfonos móviles por fin se estandarizan

Aqui está o novo "Público"

26 Setembro 2007

Eis o número 1, ano 1, de “Público”, o novo jornal espanhol:
Fonte: www.publico.es

PC = Windows?

24 Setembro 2007

Leio em El Blog de Enrique Dans (e este em Slashdot) que o Globalisation Institute emitiu um relatório para a Comissão Europeia em que recomenda a proibição da venda de computadores com sistemas operativos pré-instalados porque impede a concorrência com outros sistemas operativos alternativos.
De facto, alguma coisa está a mudar quando podemos encontrar na imprensa anúncios como este:

Fontes:
El Blog de Enrique Dans
: Ordenadores SIN sistema operativo
Slashdot
: EU Think Tank Urges Full Windows Unbundling
Publicidade da Microsoft tomada do Expresso

“…la prensa del siglo XXI debe abandonar esa voluntad enciclopédica y ofrecer más interpretación y selección de información al lector en lugar de ahogarle en teletipos. Hoy sobran noticias, lo que falta es criterio.”
Ignacio Escolar, Todo lo que siempre quiso saber sobre Público, em Escolar.net.

Esta semana (na quarta, dia 26) sai à luz “Público”, um novo jornal espanhol

  • sem editoriais, porque “uma sociedade anónima não pode ter opinião sobre nada. As opiniões são das pessoas físicas, não das pessoas jurídicas, que –mais do que opiniões- têm é interesses.”;

  • com “uma secção de Ciências de seis páginas diárias com páginas exclusivas para tecnologia, saúde, inovação e meio-ambiente.” Falarão “de Astronomia, não de astrologia”;

  • com uma web (www.publico.es) que “será completamente gratuita”;

  • com uma licença Creative Commons (salvo para as fotos de agência e os materiais dos colaboradores externos);

  • com publicidade que ocupará à volta de 20%, sem anúncios de prostituição porque “não queremos ser cúmplices dessa forma de escravidão.”;

  • com contratos indefinidos, com vencimentos bastante mais altos do que os mínimos que estabelece o contrato colectivo e sem bolseiros a fazer o trabalho de um contratado”;

  • sem temas tabu (como a questão republicana ou a monarquia espanhola);

  • com uma secção de Cultura (que inclui a BD e os vídeo-jogos);

  • com cobertura “de movimentos sociais que hoje rara vez aparecem nos meios”;

  • com “correspondentes exclusivos em Buenos Aires, México, Nova Iorque, Paris, Londres, Moscovo, Pequim, Bruxelas, Jerusalém, Berlim…” e espero que algum dia em Portugal (não necessariamente em Lisboa);

    Tomado de Todo lo que siempre quiso saber sobre Público, em Escolar.net

Dicionário "Aulete Digital"

22 Setembro 2007

Em Junho deste ano publiquei um post sobre a iminente saída de uma versão digital do excelente Dicionário da Língua Portuguesa Caldas Aulete [AULETE, F. J. Caldas (1987): Dicionário da Língua Portuguesa Caldas Aulete. Rio de Janeiro: Editora Delta; 5a edição brasileira, revista, actualizada e aumentada por Hamílcar de Garcia e Antenor Nascentes].

O Caldas Aulete continua a ser um dos melhores dicionários portugueses no que se refere à combinatória lexical, fraseologia, exemplos e abonações. No meu trabalho Dicionários codificadores pode-se ver uma análise comparativa de algumas obras lexicográficas do português onde se mostra isso mesmo. Nesse mesmo lugar referia também que o Caldas Aulete merecia uma nova edição actualizada e muito mais cuidada no que se refere ao seu aspecto gráfico.

Pois aqui está, das mãos da Lexicon editora digital. Com efeito, o Aulete Digital apresenta uma interface bem agradável:

Apresenta também links para algumas imagens (presumo que se trata das ilustrações que podemos encontrar na edição em papel da Delta Editora):


O dicionário permite vários tipos de pesquisa:


Muito útil (por prática e rápida) é a possibilidade de “navegar” simplesmente clicando em qualquer palavra do texto:

Algumas entradas apresentam também informação de tipo enciclopédico:

Temos também a possibilidade de ouvir a pronúncia dos verbetes, embora tivesse detectado problemas técnicos em algumas entradas, como é o caso das palavras com ditongo nasal –ão, em que não podemos ouvir a pronúncia ao clicar no altifalante (mas sim, por exemplo, clicando em F5):

Para acabar, quero assinalar uma limitação importante que se refere às restrições quanto ao sistema operativo: o dicionário apenas pode ser instalado em Windows.

Pode descarregar o Aulete Digital em http://www.auletedigital.com.br/aulete/

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