Economia de idéias
O direito autoral sobreviverá à bomba Napster? Não, mas a criatividade sim.
Por John Perry Barlow
(co-fundador da Electronic Frontier Foundation)
“…
Relacionamento, junto com serviço, é o centro daquilo que suporta todo tipo de “trabalhador moderno do conhecimento”. Os médicos são economicamente protegidos por um relacionamento com seus pacientes, os arquitetos, com seus clientes, executivos, com seus acionistas. Em geral, se substituirmos “propriedade” por “relacionamento” entenderemos por que uma economia de informação digitalizada pode funcionar muito bem na ausência de uma lei de propriedade. O ciberespaço é propriedade imaterial. Relacionamento são sua geologia.
Conveniência é outro fator importante. O motivo pelo qual o vídeo não matou o cinema é que era mais conveniente alugar um vídeo do que copiá-lo. Software é fácil de ser copiado, naturalmente, mas a pirataria de software não empobreceu Bill Gates. Por quê? No longo prazo é mais conveniente entrar num relacionamento com a Microsoft se você pretende usar seus produtos permanentemente. É muito mais fácil ter acesso ao suporte técnico se você dispõe do número de série ao ligar. Aquele número não é uma coisa. É um contrato, o símbolo de um relacionamento.
A interatividade também é fundamental para o futuro da criação. Desempenho é uma forma de interação. O motivo pelo qual os fãs dos Deads iam a concertos, em vez de simplesmente ouvir fitas grátis, é que eles queriam interagir com a banda no espaço físico. Quanto mais pessoas sabiam como era o som do concerto, mais queriam estar lá. Sou razoavelmente bem pago para escrever, embora coloque a maior parte da minha produção na internet antes que ela possa ser publicada. Mas sou muito mais bem pago para falar e ainda mais para dar consultoria, uma vez que meu valor efetivo reside em algo que não pode ser roubado: meu ponto de vista. Um ponto de vista exclusivo e apaixonado é mais valioso numa conversa do que a transmissão unilateral de palavras. E quanto mais minhas palavras são replicadas na internet, mais posso cobrar por interação simétrica.
…”
fonte: Economia de Idéias
(original na Revista INFO EXAME, 179, de Fevereiro de 2001 )

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