Amos Oz: Contra o Fanatismo

17 Maio 2007

Interessante o livro de Amos Oz: Contra o Fanatismo, distribuído com o jornal Público no mês de Abril (salvo erro).
Apenas uma pequena ressalva relativamente ao primeiro texto (“Da natureza do fanatismo”). A visão do “fanático” que Oz nos dá parece-me a de quem está no lado dos vencedores, a de quem, por exemplo, quer negociar desde o poder (é essa, aliás, a estratégia das autoridades israelitas: avançar cinco passos para depois “negociar” e recuar um).
Sem querer ser injusto para com o autor, imagino, por exemplo, as autoridades nazis da Europa a falar dos “fanáticos” da Resistência, desprovidos, como diz Oz, de “sentido do humor”.

Novamente sem querer ser injusto para com o autor, pergunto-me se não poderíamos pôr na boca de um palestiniano as seguintes palavras do Oz pacifista, disposto a lutar contra a agressão, pela vida e pela liberdade:

“Não sou pacifista no sentido sentimental da palavra. Se me apercebesse outra vez da existência de um perigo real do meu país ser completamente varrido do mapa e a minha gente massacrada, lutaria outra vez, embora já seja um velho. Mas só lutaria se julgasse que era caso de vida ou de morte, ou julgasse que alguém estaria a tentar converter-me –a mim ou a quem está ao meu lado – em escravo.” (p. 43-44)

Eu sei que é fácil escrever isto que eu escrevo. Difícil é estar lá:
“…ganhei o epíteto de «traidor sagaz» aos olhos de muitos dos meus compatriotas. Ao mesmo tempo, nunca consegui «satisfazer» por completo os meus amigos árabes, em parte porque pensam que a minha postura não é suficientemente radical, ou porque não sou um militante pró-palestiniano ou pró-árabe.” (p. 78)

Referências bibliográficas:
Oz, Amos (2007) Contra o Fanatismo. Lisboa, ASA / Público.

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One Response to “Amos Oz: Contra o Fanatismo”

  1. LopesCa Says:

    Quem é obcecado e segue cegamente uma opinião, partido ou ideia não pensa por ele próprio. O humor é natural.


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