Bolonha e o "modelo de competências, habilidades e destrezas"

25 Abril 2007

José María Prieto Zamora, catedrático de Psicologia Industrial da Universidade Complutense de Madrid, ao Suplemento Campus, do jornal espanhol El Mundo (via fírgoa):

  • … o Processo de Bolonha está construído sobre um modelo de escola de negócios centrado na aprendizagem de competências, habilidades e destrezas, uma filosofia obsoleta que já nem nas empresas é aplicado.

  • Eu costumo distinguir entre três tipos de empresas, dependendo do tipo de licenciados que procuram:

    As que apostam pela inovação (5% do total) procuram graduados brilhantes que estejam à frente dos acontecimentos e assumem que terão de lhes pagar vencimentos por cima dos 3.000 euros.

    As que apostam pela qualidade (à volta de 15%) querem graduados com erro zero para que tudo funcione com a maior eficiência. Isso tem um vencimento próximo dos 2.000 euros. São empresas vinculadas às engenharias, politécnicas, recursos humanos…

    Por fim, estão as empresas que procuram ‘bom, bonito e barato’ (entre 50 e 60%), que procuram profissionais formados em competências, aos que são pagos vencimentos tendencialmente baixos.

  • O modelo de competências forma apenas mileuristas e empregados de “tirar e pôr”. Com este modelo nunca teremos graduados inovadores.

    [este modelo] Faz prevalecer o regateio a curto prazo e é penalizada a análise a longo prazo. Por exemplo, com esse modelo, George Boole não teria podido desenvolver o seu sistema lógico, que se converteu anos depois numa ferramenta fundamental para os documentalistas. Há que potenciar que as pessoas se dediquem muito tempo a algo para obterem resultados.

  • Quatro modelos tradicionais [de Universidade] estão vigentes:

    1. O da Universidade napoleónica, que pretendia formar marrões que se preparam para ser funcionários do Estado…

    2. O da Universidade norte-americana é o do pragmatismo, que forma graduados superiores que saibam resolver problemas aqui e agora…

    3. … o da Alemanha, Países Escandinavos e Holanda coloca-se o repto de ir à frente em ciência e em tecnologia e de fixar standards para cinco ou dez anos, o que permite os seus graduados superiores gerarem valor acrescentado e ser imitados pelos outros.

    4. … o modelo de Cambridge e de Oxford é o da erudição, que permite aos sus graduados elaborar as sínteses mais completas…

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