Tradutores automáticos

5 Fevereiro 2007

Sobre esta questão já tinha escrito em 2000 (A Unidade Lexicográfica:…) o seguinte, tomado de ABAITUA, J. (1995): «Prólogo a la edición española», em W. J. Hutchins & H. L. Somers (1995) Introducción a la tradución automática. Madrid: Visor. Págs. 15-19:

“…é muito esclarecedora e merecedora de uma séria reflexão por parte de todos aqueles que se dedicam à investigação linguística, uma das conclusões a que se chegou no Relatório Danzin, em 1990, produto da avaliação de resultados na investigação em tradução automática, encomendada pela Comissão Europeia, e cuja consequência mais importante foi o cancelamento do Projecto Eurotra dois anos mais tarde: tinha-se chegado a um esgotamento dos métodos simbolistas, isto é, do processamento por meio de regras (Abaitua, 1995: 15-16) e, como consequência directa disto, a constatação de que era hora de começar a trabalhar, na engenharia linguística e na linguística informática, também, numa linha menos pura, no sentido de formalista ou simbolista, e iniciar «un retorno a postulados más simples, más rudimentarios, pero que son también más realistas y prácticos» (idem, 15).

Com efeito, na década de noventa, uma parte importante da comunidade científica abandona os modelos que dominaram a cena linguística desde a década de setenta e no campo do processamento da linguagem natural e da tradução automática volta a dirigir-se a atenção para métodos — como a memória de tradução, a tradução por exemplos, o cálculo de probabilidades — «más simples y que fueron arrinconados por la “élite” hace treinta años» (ib.).

É neste contexto que surgem, na área do processamento das linguagens naturais, os chamados ”conexionismo” e “computação natural”, que não se servem exclusivamente de mecanismos de reescrita como procedimento generativo, isto é, processamentos lógico-sintácticos. Nestes novos modelos, impõem-se a memória e as relações associativas e contextuais (informações que consideramos imprescindível no modelo de dicionário codificador que defendemos)”

E, acrescentaria agora, o que hoje chamamos de Web 2.0.

Será que virá das mãos de Google esse tradutor automático?

Anúncios
%d bloggers like this: