Propriedade intelectual (2)

28 Fevereiro 2007

Como continuação do post do dia 20/02/2007 Propriedade intelectual (de dois ou três), e como resposta ao comentário do gabriel (no blog estudos luso-alemães), ocorre-se-me este pequeno fragmento da versão espanhola da obra de Joost Smiers (2006) Un mundo sin copyright. Artes y medios en la globalización. Barcelona: Gedisa:

“… há muitas boas razões para deitar para o lixo o nosso actual sistema de copyright. É claro que os artistas sentir-se-iam ameaçados por um acto tão radical. Afinal, sem o copyright, perderiam todos os seus meios de subsistência. Não é?
Bom, não necessariamente. Vejamos, em primeiro lugar, alguns números.
As investigações dos economistas demonstraram que apenas 10% dos artistas fica com 90% das receitas por copyright, e que 90% dos artistas tem que partilhar o 10% da receita que resta.
Por outras palavras: para a imensa maioria dos artistas, o copyright apenas oferece vantagens financeiras mínimas.
Além disso, há outro fenómeno peculiar: a maior parte dos artistas tem algum tipo de acordo com a indústria cultural. Como se estes dois grupos tivesse qualquer interesse comum! Por exemplo, GEMA, a entidade alemã gestora de direitos, envia perto de 70% das receitas por direitos de reprodução para o estrangeiro, nomeadamente para os Estados Unidos da América, onde residem vários dos maiores conglomerados culturais do mundo. Neste processo, o artista médio nem aparece.

O fragmento, traduzido por mim, foi tomado de Abandonando el copyright: una bendición para los artistas, el arte y la sociedad (via Blog de El futuro del libro: Un mundo sin copyright).

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Graças a um interessante comentário ao meu post Propriedade intelectual (de dois ou três), de alguém que se chama gabriel, decubro o blogue estudos luso-alemães, de alguém do Mestrado em Estudos Luso-Alemães: Formação Bilingue e Intercultural (do Departamento de Estudos Germanísticos – ILCH Universidade do Minho).

Excelente iniciativa!

Lamento não saber alemão (e, como lexicógrafo, ainda mais).

Nova página Web

28 Fevereiro 2007

Nova página Web, actualizada, em:
http://www.ilch.uminho.pt/dep/alvaro/
Passa agora a ser uma página estática. A página anterior não se justificava, uma vez que a interacção com os alunos é feita totalmente na plataforma de e-learning.
Obrigado ao Javi (porque aprendi HTML) e a César, por não ter deixado que o produto final fosse uma coisa medíocre (eu sei que podia ter mais coisas, César, mas eu gosto assim).

Lusofonia? 2

21 Fevereiro 2007

No dia 10 de Fevereiro escrevi este post onde registava, meio furioso, o meu espanto perante a emissão, com legendas, da entrevista ao escritor galego Carlos Quiroga no programa Câmara Clara da RTP2 (emissão especial Correntes d´Escritas, dia 9 de Fevereiro de 2007).
Pode ver-se aqui, no excelente arquivo do programa, o vídeo da mesma (dia 9 de Fevereiro, por volta do minuto 45).

O futuro da comida

20 Fevereiro 2007

Interessante (e preocupante) documentário em Documania:

El futuro de la comida“ (vd. site The Future of Food).

Filmado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, “El futuro de la comida” mostra como a política e as multinacionais ocidentais estão a controlar o sistema de comida no mundo e a fazer que mude o que comemos.
Interessante a afirmação de que para além de irmos perdendo diversidade genética, também estamos a perder diversidade intelectual:
O documentário apresenta, entre outros, o trabalho de David Quist e Ignacio Chapela, biólogos da Universidade de Berkeley (na Califórnia).
David Quist e Ignacio Chapela publicaram um artigo na revista Nature que revela a presença de material transgénico em milho nativo nas comunidades de Oaxaca, com implicações graves, porque o México é o centro de origem e diversidade genética do grão.
Alguns problemas metodológicos motivaram críticas de outros biólogos , num editorial sem precedentes, a revista científica Nature declarou que não deveria ter publicado o artigo.


Segundo leio em Grain (La naturalea de Nature), …”cada número impreso de Nature contiene 80 páginas de publicidad de empresas de biotecnología, medicina, farmacêutica …”

O programa será emitido nas tv por cabo em: 20/2/2007 (às 10:32); 22/2/2007 (às 13:00); 24/2/2007 (às 19:30); 26/2/2007 (às 22:30); 28/2/2007 (às 19:00) e 2/3/2007 (às 21:00).

No dia 5 de Janeiro perguntava-me aqui se alguém sabia se já foi registada a patente do ar que respiramos, dos oceanos, das línguas que falamos, do teorema de Pitágoras, etc.

Se ainda não o foram, não demorará. Nos Estados Unidos, no Reino Unido ou no Japão (os gordos do mapa):

“Over half (53%) of the value of all royalty and license fees paid in 2002 were received in one territory: the United States. Large proportions of these fees were also received in Japan and the United Kingdom.”

Fonte: Worldmapper, via El futuro del libro: El negocio de la cultura e este em Tecnocidanos: el saqueo de la cultura, onde se pode ler:


Seguro que hay gente que al ver este mapa se cree que refleja la originalidad, inventiva o creatividad de los habitantes de esos países obesos. Pero lo justo es decir que la gordura que ostentan sólo refleja la potencia de sus industrias culturales y de sus organismos de vigilancia para que nadie se escape sin pagar. Hasta podríamos decir, viendo hacia dónde van los flujos de capital, que alguien se está haciendo muy rico mientras privatiza cosas que son de todos y que están en la atmósfera, como el aire que respiramos.

La cultura, desde el punto de vista del creador, no es otra cosa que un incansable proceso de diálogo, copia, pega, mezcla, cita, emborronado, ensayo y sampleado para, una vez terminado, volver a empezar con nuevos intercambios y parecidos comercios. Las palabras, las ideas, las imágenes son de todos y cada quien las toma de aquí y de allí para proponernos otra manera de formatearlas, ordenarlas, maquetarlas, decirlas,…

Acabo de sair de um reunião em que foram marcadas várias sessões de trabalho para os três próximos meses.
Alguém propôs utilizar uma plataforma (por exemplo um wiki ou o Google Docs) onde trabalhar on-line directamente e em simultâneo.
Não foi possível. Continuaremos a receber vários documentos dos vários elementos do grupo, e várias versões, pelo correio electrónico.
Já é a segunda vez que não se materializa a oportunidade de reduzir o número de reuniões presenciais (e o outro conjunto de reuniões está a ser em Santiago de Compostela! Quanto tempo e dinheiro pouparia em viagens!).
A que se deverá esta resistência? É evidente que não é possível prescindir de reuniões presenciais, especialmente na fase de discussões e negociações, mas há fases do trabalho que poderiam perfeitamente ser feitas em sessões não presenciais com este tipo de software colaborativo
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