Aulas magistrais e conteúdos

21 Dezembro 2006

Já agora, sobre a questão das “aulas magistrais” vs. “ensino centrado no aluno” e a aquisição de conhecimentos e de informação como factor limitador (vd., em fírgoa, o manifesto dos Profesores por el Conocimiento: Sobre el proceso de convergencia europea) encontrei um texto, com três linhas sublinhadas por mim há 26 anos:

“… A senhora professora aprecia muito as opiniões pessoais: «Segundo penso, Petrarca…» O tipo leu quando muito dois poemas de Petrarca, na maior parte dos casos nem um único.

Disseram-me que em certas escolas americanas, cada vez que o professor abre a boca, metade da turma levanta a mão e diz: «Não estou de acordo». Enquanto a outra metade diz: «Estou de acordo». E por aí fora conforme calha, na vez seguinte trocam, continuando sempre a ruminar pastilha elástica com um ar inspirado.

O miúdo que se permite ter opiniões pessoais sobre coisas que estão acima dele é um imbecil. Não tem de que se orgulhar. E uma pessoa vai à escola é para ouvir o que o professor diz.

Só muito raramente acontece ter-se alguma coisa a dizer que interesse a turma e o professor. Mas quase nunca é o caso de opiniões sobre coisas lidas. Informações precisas sobre coisas que vimos com os nossos olhos nas casas, nas estradas, nas florestas.”

Carta a uma professora. Pelos rapazes da escola de Barbiana. Lisboa, Presença, 19773

Reaccionário?

Para melhor enquadrar estes posts sobre aulas magistrais, ensino centrado do aluno, conteúdos, etc., permitam-me acrescentar que, como já escrevi neste mesmo lugar, no 2º semestre do ano lectivo 2005-2006, decidi ensaiar um tipo de ensino misto (presencial e não presencial) colocando na plataforma LMS EASY Education conteúdos, exercícios, trabalhos e outros elementos de avaliação, e que, este ano, estou a experimentar com os alunos, na nova plataforma de e-learning da Universidade do Minho, um sistema de ensino misto que combina o e-learning com aulas presenciais (b-learning) onde se reduz drasticamente as aulas presencias e, nomeadamente, as aulas teóricas, a 50%.

NOTA: Ontem fui à Biblioteca da Universidade à procura da versão em português da citação que aqui reproduzo. Sentei-me numa mesa e ao meu lado, uma aluna decorava uns apontamentos, repetindo, em voz baixa, mais do que uma vez as frases, qual ladainha.

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