Vou aproveitar o que me resta de “miniférias” para ler Informe Lugano, de Susan George:


George, Susan (2001) Informe Lugano. Cómo preservar el capitalismo en el siglo XXI, Barcelona:
Icaria / Intermón Oxfam

“… reunidos en la ciudad suiza de Lugano, un selecto grupo de superexpertos redacta un informe confidencial sobre cómo debe sobrevivir un capitalismo global que se siente en peligro. El encargo, secreto, permite una total claridad y los expertos no se muerden la lengua: la mala gestión de la economía globalizada, sus propios excesos y descontrol llevan a la quiebra del sistema ya que éste ‘no puede asegurar la felicidad para todos’, que hasta ahora había constituido su gran éxito. Los expertos, desde luego, trabajan con datos reales actualizados; su análisis es riguroso. ”

“Es paradójico que un sistema pueda morir de éxito, por su propia desmesura”

Fonte: Margarita Riviere (2001) “Se gesta una lucha de todos contra todos”. Entrevista a Susan George


Sou Intermón Oxfam

30 Dezembro 2006

Bem-vinda a página de introdução de Intermón Oxfam nas 4 línguas do estado espanhol


A notícia, que ontem recolhemos no dia 28, da Asociación de Internautas sobre a taxa que o Ministério de Agricultura espanhol aplicará a todos os alimentos, fogões, fornos, grelhadores, etc. pela cópia pirata das receitas de cozinha para além de ser mais uma brincadeira do dia dos Santos Inocentes, permitiu-me aceder ao artigo La sopa boba (em Libertad Digital e também na Asociación de Internautas), de Enrique Dans.

Interessante o paralelismo com os aguadeiros (os de Lisboa, meus antepassados galegos):

“La cuestión [a do “canon”] resulta particularmente oprobiosa cuando la comparamos con sus antecedentes históricos: en el viejo ejemplo de los aguadores, que obviamente se quedaron sin trabajo cuando se decidió instalar tendidos de cañerías, a ningún idiota se le pasó por la imaginación imponer un canon al uso de los grifos para proteger así un oficio que ya no era necesario. ¿Significó eso el fin del negocio del agua? No, por supuesto. La industria innovó, y hoy tenemos empresas potentes que ganan mucho dinero vendiendo agua embotellada, aunque esta está perfectamente disponible cada vez que alguien abre un grifo. […]”

NewsTrust.net

29 Dezembro 2006

Escreveu
Francis Pisani (28/12/2006) “Cuando la gente califica a políticos, médicos…”, em ElPaís.com > Teconologia > Ciberpaís,

que

O 28 de Novembro deste ano saiu o “NewsTrust.net”, um serviço de informação que ajuda a encontrar bom jornalismo on-line e contribui para a formação de certa cultura digital assim como para a participação cívica.
NewsTrust.net
é uma ferramenta que permite avaliar artigos jornalísticos on-line segundo vários critérios (qualidade geral, confiança mo meio, conteúdo informativo, equilíbrio entre os diferentes pontos de vista, atribuição de fontes, contexto.
Todos podem participar seleccionando e avaliando os artigos que quiserem.
Mas os avaliadores são também avaliados e o peso das suas avaliações varia em função da sua assiduidade, da sua experiência e da claridade dos seus critérios. Revelar as ideias políticas está muito bem visto.

Andei a dar uma vista de olhos, mas não sei o que pensar disto.
Lembra-me um bocado o que já escrevi sobre Google ou sobre Google e a diversidade:

Gosto muito do Google, mas preocupa-me o problema da fidelidade dos dados recolhidos. Google é uma espécie de “ditadura da maioria” onde os mais citados são os primeiros, onde ser ou não ser depende da “frequência com que se cita”. O mais frequente, o mais usado, o mais vendido, o mais trivial cresce exponencialmente, sem grandes margens para “periferias”.

A notícia que ontem recolhemos da Asociación de Internautas sobre a taxa que o Ministério de Agricultura espanhol aplicará a todos os alimentos, fogões, fornos, grelhadores, etc. pela cópia pirata das receitas de cozinha é mais uma brincadeira do dia 28 de Dezembro, dia dos Santos Inocentes, em que tradicionalmente, em Espanha, se celebra o que para nós é o dia das mentiras do 1 de Abril.

Podem ver referências a outras brincadeiras na imprensa, televisão e Internet em:

Pablo Fernández (2006/12/28) Santos Inocentes, las mejores bromas del dia”, em ElPaís.com > Teconologia

Leio em Asociación de Internautas:

EXCLUSIVA DE INTERNAUTAS TV

El Ministerio de Agricultura impone un canon a todos los alimentos por la piratería de las recetas de cocina

Tan solo con 24 días de vida online, Internautas TV está en disposición de revelar el plan del Ministerio de Agricultura de imponer un canon a todos los alimentos en compensación a los autores de las recetas de cocina, Además Internautas TV ha tenido acceso al spot que el Ministerio utilizará para explicar estas medidas a la ciudadanía asi como el cartel de la campaña.

Internautas Televisión28-12-2006 – Las primeras reacciones no se han hecho esperar: La Agrupación de Cocineros Amigos de la Mesa, caracterizada por su beligerancia verbal contra Amas de casa, metrosexuales y singles, perfiles más comunes según esta organización a la hora de descargarse recetas de cocina ilegales sin permiso de los cocineros, ha aplaudido con fervor la medida del Gobierno Español y anuncian que el próximo “medalling” que hagan se lo harán en honor a la Ministra de Agricultura y por supuesto, el “premio de salmonelosis” a los la la Asociación todoscontralapasta.com por su labor en contra de la sopa boba de los autores.

Cartel Campaña antipirateria de recetas de cocina

Ver vídeo de la noticia

Aun asi le recuerdan al Gobierno que no ha respondido con total satisfacción a sus demandas y no han tardado en recordar a la Ministra que es imprescindible, para salvaguardar la cultura gastronómica del país, gravar con canon a las cocinas domésticas, hornos, parrillas, fogones y tahonas, ya que son materiales idoneos para la realización de cualquier plato. “Sí no llega a ser por nuestra aportación intelectual cuando aquel primer cocinero puso un filete encima del fuego, la humanidad todavía estaría comiendo la carne cruda y subida a los arboles”. Dijo su responsable de comunicación, completamente eufórico.

La Ministra de Agricultura ha respondido inmediatamente que no le falta razón al colectivo autor de recetas de cocina , aunque matizó que muy a su pesar lo del fuego no es de su departamento ministerial ya que corresponde a Medio Ambiente.

Por su parte, la responsable de cultura gastrónomica del Partido Popular, le ha dicho al Gobierno que ya está tardando mucho en poner el canon en compensación a la creación del fuego:“La cocina mediterranea puede desaparecer por culpa del pirateo de recetas de cocina por Internet, la comida rápida y las chuches”.

Aparece a primera colecção original espanhola de livros de divulgación científica: Conversaciones con la Ciencia (Madrid: Editorial Edaf).
A nova colecção, de 10 obras, tratará de temas como a origem do universo, a sua composição, a evolução do homem, ou fenómenos actuais como a gripe aviar, Internet e novas tecnologias etc.
Teremos de consultar as obras de José Cervera e de Pedro de Alzaga, El robo del milenio e La brecha digital, respectivamente, sobre os novos modos de comunicação na era digital.
Fonte: Nace la primera colección de libros científicos de divulgación original española, em Física y Sociedad.es

Já agora, sobre a questão das “aulas magistrais” vs. “ensino centrado no aluno” e a aquisição de conhecimentos e de informação como factor limitador (vd., em fírgoa, o manifesto dos Profesores por el Conocimiento: Sobre el proceso de convergencia europea) encontrei um texto, com três linhas sublinhadas por mim há 26 anos:

“… A senhora professora aprecia muito as opiniões pessoais: «Segundo penso, Petrarca…» O tipo leu quando muito dois poemas de Petrarca, na maior parte dos casos nem um único.

Disseram-me que em certas escolas americanas, cada vez que o professor abre a boca, metade da turma levanta a mão e diz: «Não estou de acordo». Enquanto a outra metade diz: «Estou de acordo». E por aí fora conforme calha, na vez seguinte trocam, continuando sempre a ruminar pastilha elástica com um ar inspirado.

O miúdo que se permite ter opiniões pessoais sobre coisas que estão acima dele é um imbecil. Não tem de que se orgulhar. E uma pessoa vai à escola é para ouvir o que o professor diz.

Só muito raramente acontece ter-se alguma coisa a dizer que interesse a turma e o professor. Mas quase nunca é o caso de opiniões sobre coisas lidas. Informações precisas sobre coisas que vimos com os nossos olhos nas casas, nas estradas, nas florestas.”

Carta a uma professora. Pelos rapazes da escola de Barbiana. Lisboa, Presença, 19773

Reaccionário?

Para melhor enquadrar estes posts sobre aulas magistrais, ensino centrado do aluno, conteúdos, etc., permitam-me acrescentar que, como já escrevi neste mesmo lugar, no 2º semestre do ano lectivo 2005-2006, decidi ensaiar um tipo de ensino misto (presencial e não presencial) colocando na plataforma LMS EASY Education conteúdos, exercícios, trabalhos e outros elementos de avaliação, e que, este ano, estou a experimentar com os alunos, na nova plataforma de e-learning da Universidade do Minho, um sistema de ensino misto que combina o e-learning com aulas presenciais (b-learning) onde se reduz drasticamente as aulas presencias e, nomeadamente, as aulas teóricas, a 50%.

NOTA: Ontem fui à Biblioteca da Universidade à procura da versão em português da citação que aqui reproduzo. Sentei-me numa mesa e ao meu lado, uma aluna decorava uns apontamentos, repetindo, em voz baixa, mais do que uma vez as frases, qual ladainha.

1. Saíamos “estafados” das aulas do Professor Aguiar e Silva, eu e os meus colegas do Mestrado em Língua e Literatura Portuguesas. Exaustos. Mas era uma sensação de cansaço particularmente agradável.
As aulas magistrais do Professor Aguiar e Silva eram outra coisa. E não apenas pelos seus conteúdos. Era surpreendente a sua capacidade de prender a atenção dos que estávamos na sala. De nos cativar. Tanto foi assim que, pessoalmente, me levou a duvidar sobre a minha clara orientação para a linguística. Mas, voltei a enveredar pelos caminhos da linguística. E, mesmo nestes caminhos, o Professor Aguiar e Silva foi também o responsável pelo empurrão definitivo que me levou ao mundo da lexicografia, como já referi numa colaboração para o livro Largo mundo alumiado. Estudos em homenagem a Vítor Aguiar e Silva[1], publicado pelo Centro de Estudos Humanísticos, da Universidade do Minho, Centro que o professor fundou em 1980, então com o nome de Centro de Estudos Portugueses.
2. Há muito tempo que defendo que o principal papel do professor universitário é “orientar” as pesquisas, as descobertas, as leituras dos alunos. Não é isto o que hoje, no modelo de Bolonha, conhecemos como “ensino centrado no aluno”? Mas, o que aconteceria neste modelo de Bolonha com as magistrais “aulas magistrais” de professores como Aguiar e Silva?
O processo de Bolonha não deverá alimentar uma retórica fácil do “aprender fazendo”, que entende a aquisição de conhecimentos como um “elemento limitador”. Não é assim que entendemos o “ensino centrado no aluno”.
Fico surpreendido com a quantidade de vezes que encontro alusões à questão da aquisição de conhecimentos como um “elemento limitador” no ensino universitário. Será que agora só se pode falar em “resultados de aprendizagem, destrezas, competências, habilidades, etc.”? É apenas isto o que um aluno universitário necessita? E o que se passa com a aquisição de conhecimentos? Já não faz falta adquirir/transmitir (e, principalmente, gerar) conhecimentos na Universidade? Passaremos a formar na Universidade apenas “gestores do conhecimento”? Deveremos formar apenas licenciados orientados para uma actividade profissional? Deverá ser o mercado, os empregadores, as leis da oferta e da procura, a ditar-nos que conhecimentos, que formação deverão ter os nossos licenciados?[2]
3. Surgem, então, perguntas como: Para que servem as Humanidades? Qual é a sua utilidade? Mas, “lamentavelmente” não me parece que as Humanidades sirvam para produzir muito “lucro” e, portanto, terão pouco interesse para eventuais financiadores. Neste contexto, as letras podem parecer um “luxo” de que deveremos prescindir.
Até agora, as Humanidades tinham uma “função coesionadora das comunidades”[3]. As Humanidades tinham uma utilidade: o que podemos chamar a construção do discurso nacional, que justificava a reserva de uma fatia do orçamento dos Estados para o estudo da Literatura, da Língua, da Cultura, etc. Mas hoje há outros meios para alimentar este sentimento de pertença a uma comunidade nacional: a TV, a Selecção Nacional, etc. Por outro lado, quando os discursos parecem ser outros (a construção europeia, a globalização), cabe perguntar-mo-nos: para que serve alimentar este discurso da construção nacional?
4. Isto para não dizer que Bolonha, por vezes, parece ser mais um pretexto para que alguns “expertos” transformem o nosso trabalho num inferno de burocracias, com muitos “cronogramas”, “mapas”, “fichas”, “guias”, “créditos ECTS”, “resultados de aprendizagem”, etc.[4].
Experto (expert) aqui oposto, seguindo Beatriz Sarlo[5], a intelectual:
“[Expertos que] na continuidade técnico-administrativa de um Estado que estabelece alianças com grupos que procuram poder e expansão económicos, põem conhecimento técnico ao serviço dos fins pragmáticos do Mercado” [6]
Apesar de tudo, sou optimista quanto ao Processo de Bolonha e à implementação de novas metodologias de ensino-aprendizagem. Porque acredito que a Universidade tem bons profissionais.
Mas: que saudades das magistrais “aulas magistrais” do Professor Aguiar e Silva!

Muito Obrigado.

Homenagem ao
Prof. Vítor Aguiar e Silva
Penalva do Castelo / Viseu, 11 de Novembro de 2006

Curriculum VitaeActualização: Versão em papel em: <!– @page { margin: 2cm } P { margin-bottom: 0.21cm } —Baptista, F. P. (org.) (2007) Vítor Aguiar e Silva: A poética cintilação da palavra, da sabedoria e do exemplo. Viseu: Governo Civil do Distrito de Viseu; págs. 45-47.

____________________________________________________________


[1] Sousa, Carlos Mendes de e Rita Patrício (eds.) (2004) Largo Mundo Alumiado. Estudos em Homenagem a Vítor Aguiar e Silva. Braga: Centro de Estudos Humanísticos – Universidade do Minho.
[2] “Profesores por el Conocimiento: Sobre el proceso de convergencia europea” (http://firgoa.usc.es/drupal/node/21989) [Novembro de 2006].
[3] Torres Feijó, Elias (2004): “Sobre objectivos do ensino e da investigaçom da literatura”, em Sousa, C. M. de e R. Patrício (2004) Largo Mundo Alumiado. Estudos em Homenagem a Vítor Aguiar e Silva. Braga: Centro de Estudos Humanísticos – Universidade do Minho; págs. 221-249.
[4] Vd. Manifesto de Professores e Investigadores Universitários: ¿Qué Educación Superior Europea? (http://firgoa.usc.es/drupal/node/16133) [Novembro de 2006].
[5] Sarlo Sabajanes, Beatriz (1993) “¿Arcaicos o marginales? Situación de los intelectuales en el fin de siglo”, em Punto de Vista, 47.
[6] Celada, Maite (2006) “De prisa, de prisa, oye, Brasil”, em Unidad en la diversidad. Portal informativo sobre la lengua castellana (http://www.unidadenladiversidad.com/opinion/default.htm) [Novembro de 2006]

Espanha “vai bem”

15 Dezembro 2006

Leio no jornal La Varguardia (España suspende em Tecnologia) que, segundo o último estudo do “Foro Económico Mundial”:

A “economia do tijolo”, gerou um forte crescimento nos últimos anos, mas não tem sido compensado por um dinamismo equivalente noutros sectores de mais valor acrescentado;

Nos últimos tempos, relativamente à chamada Agenda de Lisboa, Espanha até recuou situando-se a meio da tabela, abaixo de Estónia, Portugal ou da República Checa;

Espanha situa-se no lugar número 22 de 25 países quanto à prioridade que o Governo dá ao uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação;

Quanto ao uso de Internet nas escolas, é das mais atrasadas da Europa e, segundo um comentário à notícia, o Ministerio de Educación (no “borrador del Real Decreto de Enseñanzas Mínimas“) propõe uma drástica redução do ensino da Tecnologia;

Espanha dedicou, em 2005, quatro vezes más a ajudas públicas ao carvão do que a investigação e desenvolvimento;

Situa-se no último lugar da Europa dos 25 quanto a discriminações salariais entre homens e mulheres;

Situa-se no penúltimo lugar da Europa dos 25 quanto a despesas públicas em investimentos para a infancia (creches, etc.), o que dificulta às mulheres o acesso ao mundo laboral;

Segundo os parâmetros do estudo, a qualidade da escola pública é a pior de Europa;

As boas notícias, segundo La Vaguardia, referem-se à integração do sistema financeiro, à qualidade dos balanços empresariais, às medidas contra a lavagem do dinheiro.

Como diria o ex-Primeiro-Ministro Aznar: “España va bien”

(ou “Presidente Aznar”, como era tratado no Prós e Contras da RTP em Outubro deste ano. De que é presidente o Sr. Aznar?, perguntava-me eu na altura)

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