Revista Agália

31 Agosto 2006

Leio no Portal Galego da Língua que saiu um novo volume da Revista Agália. Esta Agália 85/86 (1º semestre 2006) contém, entre outros estudos:
– “Inventário dos máis antigos Documentos Galego-Portugueses”, de José António Souto Cabo
– “Análise comparativa dos sistemas fonético-fonológicos do galego e do português. Sugestões didácticas dirigidas a português-falantes para a aprendizagem do padrão oral galego”,
de Paulo Malvar Fernández
– “O Julgamento de Valor e A Arte do Raciocínio dedutivo”, de
André Camlong
– “A Galiza de Ramón Vilar Ponte, filósofo da política”, de
Luís G. Soto
– “Galiza e o direito à autodeterminaçom”, de
Borja Colmenero
– “Pensando a Democracia e seu proceso de adjetivação”, de Ana Targina Rodrigues Ferraz.

Inclui também, para além de outro material, uma entrevista de Carlos Quiroga: “Sérgio Luís de Carvalho –O Novo Romance Histórico”.

O Portátil de 100 Euros

30 Agosto 2006

Leio em El País que Nicholas Negroponte, impulsionador do chamado PC de 100 $, anuncia que o portátil da OLPC (One Laptop per Child) estará pronto em Abril de 2007.
Independentemente do inegável interesse do projecto de um portátil barato (com Linux) e sem querer pôr em causa ou criticar o projecto da OLPC, há qualquer coisa que me desagrada na maneira como se apresenta este “projecto humanitário”. Neste sentido, partilho da opinião de J. A. Millán quando escreve: “desde que Negroponte anunció este proyecto en Davos me pareció que tenía algo de solemne estupidez dar un ordenador a niños carentes de las más mínimas condiciones de vida, higiene o alimentación…”

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Cada vez tenho mais dificuldade em entender a linguística (assim, pura, ou com apelidos como cognitiva, informática, etc.) na sua tentativa de descrever mediante linguagens formais o que poderia ter sido feito mediante linguagem natural. Fará sentido “anotar” textos para a sua posterior análise computacional? Fará sentido descrever a “semântica de roubar” em termos de “categorias” ou “propriedades prototípicas”?

E tudo vestido com roupagens excessivamente formalistas («esoteric terminology and esoteric analytical devices» (Wierzbicka, 1985: 7) .

Nos novos modelos em que estou a pensar impõem-se a memória e as relações associativas e contextuais.

Como acontece em outros campos (estou a pensar em muitas práticas médicas, por exemplo), se calhar, o importante agora não será tanto chegar a novas ou diferentes generalizações como aproveitar as ferramentas informáticas com enormes capacidades de armazenamento, recuperação e tratamento exaustivo de grandes quantidades de informação para fazer uma linguística empírica nunca realizada até hoje que dê conta dos usos reais de uma língua.

Para o processamento de linguagem natural é fundamental uma descrição encarada de maneira diferente, principalmente no que se refere à inventariação do significado linguístico e do conhecimento enciclopédico (que alguns chamariam de extralinguístico).

Neste novo marco, o dicionário revelar-se-á um elemento central, ao contrário do que tem acontecido na linguística do século XX.

Interessante a entrevista publicada no suplemento Babelia de El País (sábado, 112 de Agosto de 2006) ao arquitecto finlandês Juhani Pallasmaa:

“Soy crítico con la aplicación de criterios únicamente comerciales en la arquitectura y también con la arquitectura que gira en torno a una firma. Es curioso que esas dos arquitecturas representen los dos extremos del espectro. Mucha gente entiende que la arquitectura especulativa no es buena. Pero la de las grandes estrellas con frecuencia convence a políticos, a arquitectos y hasta a algunos ciudadanos. Existe una idea muy vaga sobre la finalidad de la arquitectura. Hoy se emplean los edificios como imágenes que reflejan el egocentrismo de un cliente y de un arquitecto artista. Y ése no es el fin de la arquitectura.

Creo que la idea de un monumento referencial está muy explotada hoy. Tanto que serviría para justificar cualquier hazaña. Me temo que este tipo de arquitectura sirve a unos fines muy egocéntricos y limitados, al contrario de una arquitectura que ancle a los seres humanos en el mundo en lugar de imponer su presencia. La arquitectura de hoy ha descuidado los sentidos, pero no sólo eso explica su inhumanidad. No es para la gente. Tiene otros objetivos, no el uso de los ciudadanos. La arquitectura se ha convertido en un arte visual…”

Interessante também a preocupação por “não dar nas vistas”. Nós, os galegos, temos muito disso (também somos do Norte):

“Pienso que se debe a la tradición luterana de mi educación. Sin ser religioso, soy nórdico. Vengo de una cultura restrictiva que no invita a destacar. Lo mejor es lo que pertenece al grupo, por actitud, comportamiento o aspecto. Lo mejor que le pueden decir a un arquitecto finlandés es que se porta bien, no que destaca.”

Fico à espera do livro Los ojos de la piel, a ser publicado em Outubro pela editora catalã Gustavo Gili

Não me lembro bem se era Calouste Gulbenkian quem, quando ficava doente, deixava de pagar ao seu médico pessoal.
Algo semelhante poderia ser aplicado na política de luta contra os incêndios florestais?

A quem beneficia este tipo de terrorismo?
Ecologistas: Oiçam as populações rurais.
Sabem que as pessoas não querem plantar carvalhos “porque depois não os podem cortar por serem espécies protegidas”?
Pensem nisso à hora de fazer políticas florestais e agrárias.
Oiçam, sem paternalismos, a gente do campo. Se calhar, sabem mais do assunto do que muito ecologista urbano.
Por certo, ecologistas urbanos, brinquem a outra coisa.
LUME NUNCA MAIS!

Educação para o ódio

5 Agosto 2006

Nem acredito no que encontrei em Resistir.Info (via ASSÉDIO ... PARA TOD@S).

Jornalistas: onde estão os israelitas não sionistas? (vd. post anterior)

EDUCAÇÃO PARA O ÓDIO
.
Crianças de Israel escrevem mensagens sobre munições de artilharia pesada em Kiryat Shmona, próximo à fronteira libanesa. Munições que irão assassinar outras crianças, do lado de lá da fronteira.
Nem a juventude hitleriana conseguira imaginar tal perversidade.

(em Resistir.Info)

“Quem é esse «nós» a que o apresentador do telejornal da noite faz referência ao perguntar cortesmente ao Secretário de Estado se as «nossas» sanções a Sadam Hussein são merecidas, quando há literalmente milhões de civis inocentes que não pertencem a esse «regime» atroz e que estão a morrer ou sendo mutilados, a passar fome e a ser bombardeados para que possamos fazer sentir o nosso poder? E quem é esse «nós» quando um simples leitor de imprensa pergunta ao actual Secretário se, no nosso afã por processar o Irak pelas armas de destruição maciça (que em todo o caso não apareceram), «vamos» aplicar o mesmo critério e pedir as armas a Israel (só que neste caso não recebe nenhum tipo de resposta)? […]
Quem é o «nós» que bombardeia civis e que faz caso omisso do saque e pilhagem do extraordinário património do Irak com expressões como «São coisas que passam» ou «A liberdade é incerta»? Deveríamos ser capazes de dizer algures e com certo alcance «Eu não pertenço a esse “nós”, e o que “vós” fazeis não o fazeis em meu nome».

Edward W. Said (2004) Humanism and Democratic Criticism.

Carta do Boaventura Sousa Santos, publicada na revista Visão, do dia 27 de Julho. Hoje li-a no Troll Urbano:
Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos intelectuais judeus israelitas — como te costumas classificar, para não esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel é árabe — mais progressistas que conheço. Aceitei com gosto o convite que me fizeste para participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive. Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramallah.
Escrevo-te hoje para te dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo, como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático, o mesmo que defendo para o povo palestiniano.
Esqueço, com alguma má consciência, que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da Palestina entre um Estado judaico (55% do território) e um Estado palestiniano (44%) e uma zona internacional (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico.
Esqueço também que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700 mil palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território.
Pode continuar a ler a carta no “Troll Urbano”

Lembram-se? Em Janeiro, Gates assinou um protocolo com o Governo que, teoricamente, serviria para dar um empurrão ao «Plano Tecnológico». No campo da língua portuguesa, foi criado o “Centro Microsoft de Desenvolvimento da Fala e Língua Natural” (punto 3 del “Memorando de Entendimento entre o Governo Português e a Microsoft …”).

Pois agora (leio no Libros & bitios) temos mais do mesmo na Espanha:

Microsoft, la Academia y el negocio

En Addenda y Corrigenda leo sobre las declaraciones de Pedro Luis Barcia, presidente de la Academia Argentina de las Letras. La página web donde estaban ha desaparecido, pero queda una copia en la caché de Google. Hemos comentado más de una vez el hecho preocupante de que los términos del acuerdo entre Microsoft y la Academia, por el cual la empresa de Seattle ha dispuesto del Corpus de esta última, no fueran conocidos. Ahora Barcia desvela lo que por otra parte parecía lógico: Microsoft está desarrollando software del español… para luego vendérnoslo. ¿No había empresas y especialistas de países hispanohablantes que pudieran hacer ese desarrollo? ¿Se podrán beneficiar otros programas del software lingüístico desarrollado con la ayuda de la Academia? ¿Están trabajando nuestras instituciones públicas para Microsoft?

Em Portugal, o protocolo já está a dar os seus frutos (para a Microsoft): “O Plano tecnológico já está a dar resultados para Bill Gates. O Governo acabou de autorizar o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) a adquirir à empresa do patrão e fundador da Microsoft 3700 licenças de ‘software’.” (Correio da Manhã).

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