O que se passa com os conteúdos? (II)

3 Julho 2006

Há uma semana escrevia que estava a ficar surpreendido com a quantidade de vezes que encontro alusões à questão da aquisição de conhecimentos como um “elemento limitador” no ensino universitário.
“Bolonha” não estará a ser uma desculpa para que alguns “e(x/s)pertos” pedagogos transformem o nosso trabalho num inferno de burocracias, com muita “ficha”, “guia”, “ECTS”, “resultados de aprendizagem”, etc.? (vd. em Firgoa alguns pontos do Manifesto de Professores e Investigadores Universitários: ¿Qué Educación Superior Europea?).
Tomo das conclusões de O “Eduquês” Em Discurso Directo, de Nuno Crato (Gradiva, 2006), algo que, noutros tempos, criticaria por me parecer uma obviedade:
«É necessário reafirmar que o essencial na formação de professores é o conhecimento da matéria que ensinam. Isso é válido nas três grandes etapas do ensino: os dois primeiros ciclos do Básico, o terceiro ciclo e o Secundário, e o Ensino Superior. […]
Infelizmente, muitas escolas superiores seguem o caminho contrário e concentram-se no ensino de teorias e métodos pedagógicos, esquecendo os conteúdos disciplinares. Se é verdade que a formação pedagógica é útil e necessária, também é preciso reconhecer que ela não se pode tornar o aspecto central dos cursos de professores. A primeira e indispensável qualidade de um bom mestre é o conhecimento da matéria que lecciona.»
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