Os galegos e o Acordo Ortográfico
9 Abril 2008
A propósito da participação, na segunda-feira 07/04/2008, de representantes de algumas instituições galegas na “Conferência Internacional / Audição Parlamentar “O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” ( vd. vídeos em: http://www.agal-gz.org ), alguém me colocou estas duas perguntas:
- Afinal o galego existe ? (desculpe a rudeza da pergunta, mas é
uma pergunta para um linguista….)
- Como interepretar o interesse dos galegos relativamente ao nosso
acordo ortográfico? Considera-se a alternativa de o galego se
aproximar, em termos normativos, do Português?
Vejamos:
Que língua é que falam os galegos?
Dos quase 3 milhões de habitantes (sem contar os galegos emigrados ou na “diáspora”), falam galego (segundo os dados do Instituto Galego de Estatística, para 2001) 2.355.834 de pessoas:
Total: 2.355.834
De 5 a 9 anos: 87.719
De 10 a 14 anos: 108.917
De 15 a 19 anos: 142.588
De 20 a 24 anos: 188.545
De 25 a 29 anos: 192.033
De 30 a 34 anos: 179.427
De 35 a 39 anos: 171.263
De 40 a 44 anos: 171.659
De 45 a 49 anos: 158.098
De 50 a 54 anos: 154.542
De 55 a 59 anos: 151.116
De 60 a 64 anos: 126.022
De 65 e máis anos: 523.905
Fonte: Poboación en vivendas familiares de 5 e máis anos segundo xénero, idade e coñecemento do galego
Bem sei que não se responde à perguna com estes dados, que, aliás, devem ser lidos com muitas reservas. Contudo, há um dado a destacar: a clara perda de novos falantes, como também se pode ver nos seguintes quadros:


IGE (2004) Enquisa de Condicións de Vida das Familias. Coñecemento e uso do galego. Ano 2003. Santiago, Xunta de Galicia.
Fonte: Conselho da Cultura Galega
Outra coisa é responder à pergunta “O que é o galego?” (e aqui já começo a dar resposta à segunda questão que me foi colocada).
Simplificando muito, podemos dizer que há 2 respostas, que se correspondem com os 2 grandes (e antagónicos) projectos de normalização (transformação de uma língua em veículo “normal” de comunicação numa comunidade linguística) e normativização (construção de um padrão culto) existentes na Galiza:
- a autonomista (ou isolacionista), que defende a consolidação do que hoje poderíamos muito bem chamar de galego-castelhano (norma da Real Academia Galega, RAG).
- a reintegracionista (ou lusista) que defende uma norma para o galego que poderíamos chamar de galego-portuguesa (norma da Associaçom Galega da Língua, AGAL), ou, simplesmente, português da Galiza.
Mural, já recolhido neste blogue, ao pé da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela em homenagem ao Professor Ricardo Carvalho Calero.
Via: Portal Galego da Língua > Gentalha do Pichel realiza mural em homenagem a Carvalho Calero
Ora bem, foram representantes deste segundo grupo que participaram, na segunda-feira 07/04/2008, na “Conferência Internacional / Audição Parlamentar “O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”.
Páginas de interesse:
Língua galega, na Wikipédia portuguesa.
Lingua galega, na Wikipedia galega.


9 Abril 2008 at 6:05 pm
Mas que resposta tão diplomática!!
Falou o linguista, então e o homem/galego? Presumo que tenha opinião.
9 Abril 2008 at 9:00 pm
Que mania de me pedirem para me pronunciar sobre o “Acordo Ortográfico”!
Deixa a poeira assentar…